7 artistas que usam linhas e tecidos de um jeito que você nunca viu

19:16 Unknown 20 Comments

A arte têxtil é uma das mais ricas em termos de técnica e diversidade temática e cultural, sua história e desenvolvimento está intimamente ligada à mulheres de todo o mundo há incontáveis gerações. Gostaríamos de falar um pouco sobre cada uma dessas mulheres, mas como isso seria impossível selecionamos 7 artistas têxteis contemporâneas de países e culturas diversos que todos deveriam conhecer.


Alexandra Drenth

A artista holandesa Alexandra Drenth procura conexões entre o velho e o novo. Nos últimos anos trabalha principalmente com materiais têxteis, fazendo colagens e bordados à mão. 



Para a artista, o processo do bordado em seu trabalho é importante porque sente que o feito à mão parece não ter nenhuma pressão de tempo e ter tempo para o seu trabalho faz com que ela se sinta meditando. Suas inspirações vem principalmente de suas próprias experiências, de letras e poemas, seu trabalho e vida se misturam e as palavras que melhor podem descrever suas temáticas são sensibilidade, misticismo, silêncio, experimentação e atemporalidade. 



"Em primeira instância, fazer arte para mim é minha necessidade interior de entrar em um estado de unidade. Nesse estado, eu posso me comunicar com o mundo ao meu redor. Meu desenvolvimento em bordados e têxtil é muito importante para mim e me ajuda a entender melhor a mim mesma e ao mundo". (Alexandra Drenth)





A carreira da artista estadunidense Sheila Hicks, que reside e trabalha em Paris já se estende há cinco décadas, demonstração do grau em que ela permanece firmemente enraizada no mundo das artes têxteis.


Sua obra é conceitual e engloba tapeçaria não convencional, esculturas em grande escala e miniaturas tecidas e emolduradas. Indo muito além do uso de fibras tradicionais como algodão, lã e seda, Sheila incorpora materiais inesperados em seu trabalho, como fibras de aço por exemplo. 


“Têxtil havia sido relegado a um papel secundário em nossa sociedade, a um material que foi considerado funcional ou decorativo. Eu queria dar-lhe outro estatuto e mostrar o que um artista pode fazer com estes materiais incríveis". (Sheila Hicks)


Sua obra pode ser encontrada nas coleções permanentes do Museu de Arte Moderna de Nova York, Paris, Centre Pompidou, o Museu Stedelijk e do Museu de Belas Artes de Boston.




A artista Diane Savona cria obras que buscam resgatar e preservar a memória de seus antepassados poloneses. Para isso ela garimpa objetos que eram comumente utilizados na esfera doméstica e artigos têxteis como bordados e crochês que tenham resistido ao tempo, e imaginando como seus avós viviam constrói suas criações.


Ela reutiliza peças de vestuário tridimensionais de natureza comemorativa como vestidos de batizado e as reorganiza no plano bidimensional. Pelo achatamento as peças de vestuário perdem sua forma original e propósito e tornam-se, em alguns aspectos, memórias fossilizadas, ou uma espécie de impressões parciais de gerações anteriores.


Seu trabalho valoriza a ênfase no detalhe, a paciência e orgulho que pode ser visto de forma bastante evidente em tantas peças de trabalho têxtil de valor geracional, embebidas com o sangue de indivíduos que não estão mais entre nós. 


“Meus trabalhos têxteis são arte e arqueologia. Eles são as histórias de gerações passadas. Desconstruindo artefatos do passado e preservando-os em uma apresentação arqueológica, espero mudar a percepção do espectador sobre nosso patrimônio têxtil”. (Diane Savona)




A artista finlandesa Lotta Pia Kallio cria obras surrealistas que desafiam o espectador a olhar por uma perspectiva diferente, as ferramentas que mais gosta de usar são têxtil e vídeo e busca inspiração nas pequenas histórias e vestígios que são deixados por eventos diversos. Seu processo de trabalho é para a artista um verdadeiro ritual. 




Ela utiliza diferentes técnicas sobre os materiais têxteis, os “mancha” com ferrugem, vinho, chá, café, tinta acrílica, óleo, spray e bordado. Usa brinquedos quebrados que envolve com tecido e também vários tipos de métodos gráficos para transferir imagens para a superfície têxtil.


"Minhas obras muitas vezes refletem o passado: eu tento capturar o tempo para compreender os acontecimentos em torno de mim, voltar e jogar em câmera lenta meus vídeos são mais como mantras visuais ou uma pintura em movimento do que histórias com claro início e término”. (Lotta Pia Kallio)

Suas obras estão em museus de arte em Nagykaniza, Hungria e cidade de Salo e Helsinki, Finlândia.





A artista japonesa Junko Oki atreve-se usando linhas finas de costura para bordar, sem desenhar qualquer tipo de esboço no tecido utiliza pontos de alta densidade que causam a sensação de que eles estão lutando para expressar seu próprio mundo interior, e dão uma força esmagadora ao seu bordado.


Ela chama seu trabalho de “Livre circulação da linha”, e de fato é, suas obras são como percursos e padrões feitos pelas próprias linhas.



Junko já publicou três livros de sua obra “Poesy”, “Culte a la carte” e “Punk”, neles é possível encontrar belas imagens das produções da artista assim como suas narrativas sobre cada uma delas. 



“Quando tenho agulha, fios e outros materiais especiais na minha frente, algo mexe profundamente dentro da minha mente, é inconsciente, e eu estou cheia de força emocional, onde recupero meu verdadeiro eu”. (Junko Oki)





A artista francesa Cecile Dachary cria obras que estreitam a relação entre têxtil e humano, fazendo representações do corpo com tecidos. Para ela o tecido é uma segunda pele, como uma concha de corpo que mantém a marca desse corpo a que deu à luz, tornando o tecido vivo, dando-lhe uma materialidade sensual. Seu trabalho evoca memórias mutáveis - através de volumes orgânicos - que podem ser perturbadoras, violentas, sensuais ou eróticas - buscando superar as convenções do seu ofício e do gênero.


Em suas obras utiliza tecidos desgastados que tenham mantido os traços da vida e da memória do corpo que vestiu, com marcas que imprimam a passagem do tempo, como deformações e manchas, ela tinge tonalidades desbotadas com corantes feitos com as especiarias com as quais cozinha, com chá, água sanitária e as tintas que encontra em suas prateleiras, enfim, todas as ferramentas necessárias para seu trabalho são encontradas em seu lar . 

“Estas técnicas eu utilizo em homenagem as mulheres aqui e em outros lugares, e das gerações anteriores. Quero aproveitar a oportunidade que eu tenho para ser capaz de levar esse conhecimento para outro local, reduzindo a distância entre as embarcações e reavaliar a arte deste tipo de trabalho, porque, como diz o ditado ‘um ponto pode ser muito bonito’.” (Cecile Dachary)

Uma das características que define o trabalho de Cecile é a oscilação da linha e da falta de acabamento limpo que dão a sua arte uma sensação desconstruída.





A artista francesa Cecile Perra cria esculturas têxteis por meio de diferentes técnicas, como costura e colagem. Em sua obra ela usa tecidos diversos, fotografias antigas, bonecas, brinquedos e objetos antigos, misturando elementos e materiais díspares para criar peças únicas, feitas a partir dos pedaços de tantas outras. 




Com uma pesada carga de nostalgia Cecile Perra liberta o espírito primitivo e imaginativo da infância. Seus objetos têxteis coloridos, complexos e perturbadores lembram bonecas antigas, bonecas de vudu ou criaturas míticas, por vezes desajeitadas, em seguida, elegantes, encantadoras ou melancólicas.



"... Preciosas histórias tecidas, retratos íntimos que transformo, misturando famílias e estranhos, eu monto, eu costuro, eu pinto, em suma, eu faço irromper a sua história... com o fio, encontro uma boca e, em seguida, seus olhos que falam, um rosto para sugerir um caráter, trabalhar com ele, uma identidade, um personagem... brinco com sua vida e sua memória, como uma criança brinca com bonecas... as formas são purificadas, os padrões desaparecem, por vezes, tornam-se grosseiros e desajeitados, mas me parece justo. Banhada sempre em um vento nostálgico, a transição da criança para a vida adulta às vezes é difícil e confusa, ou melhor, prematura, a noção de mudança, o peso da herança, falta leveza. Crio identidades mestiças, complexas, profundas, mas nuas. Cuido das feridas dos personagens e dou-lhes uma nova chance... dou-lhe vida, até dizer "mas é ele”?.... Eu não sei, mas eu gosto." (Cecile Perra)



Desde 1996 Cecile tem exposto seu trabalho ativamente em toda a França e em 2012 expôs também na Holanda.

20 comentários:

  1. Lindo demais. Parabéns aos artistas e a quem juntou as informações. Adorei!

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  2. E no Brasil: Rosana Paulino e Lidia Lisboa.

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  3. tem a Sonia Gomes, a Márcia Lancellotti ...

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  4. São de tirar o fôlego, surpeendem

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  5. surpreendente! adorei! com muito boa costura, entre temas e técnica.

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  6. Excelente conteúdo! Publicarei na página Boneca Letrada do Facebook!

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  7. No Brasil tem tambem Dôra Araújo ❤

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  8. Temos aqui, no Brasil a Dóris Suely!!!

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  9. Maravilhoso eu também sou artista e tenho trabalho têxteis

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  10. Eu realizo trabalhos tridimensionais com seda. Recentemento fui premiada na exposição de arte BUNKYO.
    Meu instagram _madalena_almeida. Vão lá ver.

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